Curiosidades da primeira infância (Parte II)

11:00:00 Dayane Marins 3 Comments

 Do nascimento aos três anos de idade

Desenvolvimento psicossocial


Olá, essa é a continuação do texto onde falamos sobre a primeira infância. Para ler a primeira parte onde abordamos algumas características gerais CLIQUE AQUI.

Nessa segunda parte falaremos sobre o desenvolvimento psicossocial do bebê. Quando fala, o primeiro contato social, o que sentem e sobre os irmãos.

E QUANDO FALA?






A primeira palavra da criança é sempre muito esperada, e muitas vezes disputada pelos pais. Vamos conhecer um pouco desse processo linguístico.
Segundo Papalia & Feldman, Linguagem é um sistema de comunicação baseado em palavras e gramática. A partir desse conceito, vamos citar os tipos e, posteriormente o desenvolvimento comum:

Sons: A criança inicia balbuciando (fazendo alguns sons, de formas repetidas), é o primeiro passo para a construção da linguagem, pois fazendo sons de consoantes e vogais ela indica que está passando a ter controle sobre a musculatura responsável pela vocalização.

Gestos: Aproximadamente aos dez meses a criança passa a se comunicar por gestos e algumas sonorizações. Nessa fase a criança aprende a bater palmas e dar tchau. Para a criança isso é bastante estimulante.

Linguagem Receptiva: a criança entende o significado das palavras. Alguns estudos, no entanto, afirmam que a criança só irá entender o sentido da palavra quando começa a verbalizar.

Pré-Operacional: está ligada ao período pré-escolar, a criança desenvolve condições básicas para ser alfabetizada.
Segue a baixo uma tabela, do livro da Papalia & Feldman (2013), onde é citado o desenvolvimento comum. Cabe resaltar que cada criança pode seguir ou não a tabela, depende de vários processos, inclusive o estímulo externo.



O QUE SENTEM?



O que são as emoções? Como as formamos? Para que servem?

As emoções são importantes para sobrevivência e bem estar, pois comunica a condição interna de uma pessoa para outra. E também orienta e regula o comportamento, geralmente é passado do cuidador para a criança, como por exemplo, em uma situação de perigo se expressa medo.
As emoções são reações subjetivas à experiências associadas as variações fisiológicas e comportamentais. Nós desenvolvemos desde cedo um padrão característico das reações emocionais e esse é um elemento básico para a personalidade.


“As emoções humanas são flexíveis e modificáveis”. PAPALIA & FELDMAN, 2013


Os primeiros sinais de emoções são chorar, sorrir e rir. Há padrões de choro para fome, dor, raiva e frustração. Os primeiros esboços de sorriso ocorrem de modo espontâneo logo após o nascimento, aparentemente como resultado dos ciclos alternados de excitação e relaxamento na atividade do sistema nervoso subcortical, aproximadamente aos quatro meses o bebê começa a rir/gargalhar. As emoções complexas, como tristeza, alegria, medo e outras, baseiam-se nas emoções anteriores que são mais simples. As emoções autoconscientes, como constrangimento, empatia e inveja, surgem entre 15 e 24 meses (segundo Piaget).


Sistema Nervoso Subcortical:
                                                                                      








Autoconsciência: a compreensão cognitiva de que eles são seres em funcionamento, separados do resto de seu ambiente.
O temperamento é o conjunto de ações psicofisiológicas e psicológicas inatas que diferenciam uma pessoa da outra. É construído por fatores genéticos, endócrinos e metabólicos e marcam as tendências com que a pessoa reagirá ao meio em que vive. Por exemplo, a pessoa pode nascer com uma tendência a reagir de forma calma e tranquila enquanto outras nascem com tendências a reagir de forma explosiva. São estas tendências que funcionam como um filtro dos estímulos que chegam que chamamos de temperamento. Sendo assim, os pais podem dar a mesma informação aos filhos, mas, cada um sofrerá a influencia do seu temperamento na hora de processar a informação recebida. (NUNES, 2009)

A FAMÍLIA, PRIMEIRO CONTATO SOCIAL!



Bee (2003 apud NUNES,2009) fala de algumas dimensões nas relações familiares, que são: Tom emocional; Responsividade; Método de controle e Padrões de comunicação.


O modo de educar e interagir com seus filhos vão variar muito em todo o mundo. Alguns desenvolvimentos psicológicos que achamos naturais podem ser culturais. Como, por exemplo, nas sociedades pré-industriais a mortalidade infantil é alta, os pais tendem a manter-se próximos e atender mais seus bebês.
Algumas crianças internalizam os padrões da sociedade com mais facilidade do que outras. O modo como os pais procedem, aliado ao temperamento da criança e à qualidade do relacionamento entre pais e filhos, pode ajudar a prever o quão fácil ou difícil será socializar uma criança (Kochanska et al., 1993, 1995, 1997).

Geralmente, a primeira ligação estabelece-se com a mãe, mas essa ligação pode não ser realizada ou ser formada de outro modo, sendo não necessariamente com a mãe biológica. Algumas pesquisas não confirmaram um período crítico para formação de laços (Chess e Thomas, 1982). Relatam que o contato imediatamente após o nascimento não é essencial para uma ligação forte entre mãe e filho (Klaus e Kennell, 1982). Isso alivia a preocupação e a culpa, às vezes, sentida por pais adotivos e por pais que foram separados de seus bebês após o nascimento.

O papel do pai é reconhecido em todas as culturas, mas ele pode ser assumido ou dividido com outra pessoa que não o pai biológico. Assim como o papel da mãe, o papel do pai envolve comprometimento emocional e, com frequência, envolvimento direto no cuidado e na educação dos filhos (Engle e Breaux,1998).

BRIGA DE IRMÃOS




As crianças reagem de diversas maneiras à chegada de um irmão ou de uma irmã. Para atrair a atenção da mãe, podem “regredir” alguns comportamentos. As crianças pequenas geralmente se apegam a seus irmãos mais velhos. Embora a rivalidade, muitas vezes, esteja presente, também existe afeto. Quanto mais seguro é o apego  dos irmãos aos pais, melhor eles se relacionam (Teti e Ablard, 1989). Quando o bebê inicia a andar, há mais conflitos, por causa de brinquedos e territórios.

Nesse processo  de conflito, tornam-se mais conscientes das intenções e dos sentimentos dos outros. Suas ações e expressões sugerem que estão começando a reconhecer que tipo de comportamento irá aborrecer ou perturbar um irmão ou irmã mais velha e que comportamento é considerado "travesso" ou "bom". Essa compreensão cognitiva e social em crescimento acompanha alterações na qualidade dos conflitos entre irmãos. O conflito construtivo limita-se à questão presente, não é intensamente emocional e geralmente leva a uma decisão negociada. Ajuda as crianças a reconhecer necessidades, desejos e ponto de vista umas das outras, além de ajudá-las a aprender a brigar, discordar e chegar a um acordo no contexto de um relacionamento seguro e estável (Vandell e Bailey, 1992)
Com as disputas e brigas que são geradas, as crianças tendem a desenvolver inteligência emocional, aprendem regras convencionais e morais, se tornam mais construtivos e estabelecem soluções.


Referências bibliográficas:
- PAPALIA, D.; OLDS, S.W.; FELDMAN, R. D.Desenvolvimento Humano. 8 ed.Porto Alegre: Artmed, 2006.
- NUNES, A.L.V. Introdução à Psicologia do Desenvolvimento Humano. São Cristóvão: Universidade Federal de Sergipe, CESAD, 2009.
- BEE, H.; BOYD, D. A Criança em Desenvolvimento. 12 ed. Porto Alegre: Artmed, 2011.
- OLIVEIRA, L.F.; SILVA, A.P.; MAIA, M.F.M.; SOUSA, B.V.; NOGUEIRA, C.V.; ROCHA, D.J.; SILVA, A.S.S. O esquema corporal no desenvolvimento da criança: um breve estudo. <http://www.fepeg2014.unimontes.br/sites/default/files/resumos/arquivo_pdf_anais/o_esquema_corporal_sem_autores.pdf>. Data de acesso: 25/08/2015



3 comentários:

  1. Demorei mas consegui ler a segunda parte,e mais uma vez adorei rs.É muito bom ler um texto e ir comparando com as atitudes da minha pequena. É um exercício muito interessante. Parabéns pelo blog mais uma vez😊😊😊😊

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    1. Drihelen, obrigada pelo apoio! O LàR está muito grato a todo carinho. Caso desejar, você pode curtir nossa fanpage no Facebook e compartilhar nossos textos.

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    2. Drihelen, obrigada pelo apoio! O LàR está muito grato a todo carinho. Caso desejar, você pode curtir nossa fanpage no Facebook e compartilhar nossos textos.

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