Noite feliz?

01:00:00 Leonardo Maggioni 0 Comments

Muitas pessoas se encantam com a “magia” que o natal representa, aquelas luzes enfeitando e colorindo uma paisagem cada vez mais cinza nas grandes cidades, a possibilidade de presentear e ser presenteado por aquela pessoa especial, todos reunidos em torno de uma mesa farta de comida. Roupa nova, especial do Roberto Carlos na Globo, aquela música da Simone no Repeat Forever" e o bom e querido tio fazendo a piada do Pavê. Tudo muito harmonioso e bonito. Não? É não quero te desanimar, mas não sei se Papai Noel é um cara tão legal assim.
Apresento algumas perguntas que podem ajudar a justificar minha indagação:
Quantas pessoas são “obrigadas” a trabalharem além das já absurdas 8 horas, sem contar o tempo de transporte? Privando ainda mais os indivíduos do convívio de seus familiares.
Quantos pais não podem presentear seus filhos, sentindo se impotente frente ao sonho do filho? Sonho esse massificado pelo consumismo, onde a máxima do compro logo existo parece ser o ideal de mundo melhor  
Por que Papai Noel não consegue visitar todas as casas? Será que ele tem uma seletividade social, que determina se a criança merece ganhar presente? Será que realmente criança que não come, não ganha presente? Será como retratado no poema de Victor Rodrigues ao dizer “ Se a gente é o que come quem não come nada some. Por isso ninguém enxerga essa gente que passa fome. ”  Seria essa invisibilidade determinante para o bom velhinho não chegar a todxs?
Por que tanta comida em algumas casas? Alguma família realmente consegue consumir todo aquele alimento?
Quantos pais acham que o presente, pode substituir a sua presença? Qual o peso dessa essa ausência se faz presente na vida dessas crianças? Depende do preço do presente? E o valor da experiência de participar da criação de seus filhos? Tá a venda?
A intenção não é desqualificar a data que para muitxs tem uma grande importância, só gostaria de levar a reflexão de como é cruel o efeito capitalista da data, que em sua origem, nada tem a ver com o que se transformou hoje. Muitas vezes, inconscientemente, construímos e reforçamos práticas que poderiam ser de outro jeito, um modo talvez mais humano, que aproximassem pessoas e ao invés de afastar classes. No fundo acredito que o Natal deve ser todo dia, deve ser compartilhado entre familiares e amigos, devemos aproveitar os momentos de celebrar, as oportunidades cada vez mais raras de abraçar e beijar o outro e de acordo com sua fé ou não elevar seus pensamentos para um mundo mais justo e melhor. E praticar essa mudança no mundo, adquira hábitos simples, as pessoas vão lhe admirar e respeitar pelo que é, não pelo que tem. Para encerrar deixo vocês com uma frase do poeta Ni Brisant sobre o amigo oculto/secreto, prática de troca de presente entre as pessoas.
“Nunca gostei de amigo secreto, prefiro presente”

Feliz Natais.






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