Papai Noel, amor e desenvolvimento emocional infantil.

01:00:00 Thais Lopes Trajano 0 Comments

Quando os pais usam frases como “Ih, se não comer a comida toda Papai Noel não vai te dar presente”, “Vai ficar de pirraça? Papai Noel ta vendo”, “Se não for um bom menino não ganha presente do Papai Noel” estas colocações estão a serviço e cuidado da criança ou a serviço de obediência e chantagem dos pais?
Muitas vezes ouvimos e até mesmo reproduzimos frases como essas, mas sem pensar em como isso é entendido pela criança.



O Adulto

Esse tipo de fala ajuda os adultos em uma resolução momentânea, é uma forma eficaz de conduzir a criança para o que se deseja. No entanto, para a criança essa fala pode ter um desdobramento muito infeliz, justamente porque essas colocações, normalmente são ditas repetidamente às crianças, não só no Natal, mas também com o coelhinho da Páscoa, com aquela piscina no fim de semana, com coisas mais simples como ser pega no colo ou receber um carinho.
Pensar que a criança deve ser boazinha para ganhar presente também é injusto quando o que está em jogo é a concepção dos pais, pois a criança em sua espontaneidade buscará satisfazer seus desejos e necessidades e não atender um ideal social do que é ser bom ou comportado.
Ao acreditar que o comportamento da criança é inadequado restringimos carinho, e porque não, dizer amor, ao negar-lhe o tal presente que fica então condicionado ao comportamento desejado pelos pais.

A criança

A criança tem seu desenvolvimento emocional e amoroso constituído a partir da relação com a família e em como se sente aceita e amada por eles.
 Quando a criança sente-se amada somente quando atende aos desejos dos pais, como ficar quietinha, não fazer perguntas, ser sempre comportada, ela vai gradativamente perdendo sua espontaneidade e passando a assumir aquele papel que faz com que ela receba amor e carinho.
Isso significa que um amor condicional, ou seja, amor dado dependendo de uma condição pode ser muito prejudicial aos pequenos, pois poderá minar a espontaneidade da criança e fazer com que ela se desenvolva acreditando que ela deve ‘desempenhar’ algum papel para ser amada baseada na crença que não merece ser amada como verdadeiramente é.

Anota a dica!

Nossa sugestão é que os papais, mamães, vovós e etc sejam o mais transparente possível com a criança ao demandar um comportamento dela. Explicar como ela pode te ajudar em determinada situação fará com que ela se sinta participante de sua vida, ela pode até sentir prazer em ajudar. Quando a criança comete algum erro, é possível explicar o porquê de aquilo ser inadequado e dar um beijo ou um carinho, é uma forma de demonstrar que você está ao lado dela e a ama apesar dos erros. Além disso, demonstra que você estará lá disposto a ensiná-la outra forma de fazer algo, de ajudá-la a corrigir seus erros e aprender com eles.
Um espaço de fala e escuta para a criança valem muito mais do que uma submissão por um presente.
Nossas crianças nascem espontâneas e sensíveis para amar e viver, saibamos educá-las de forma que elas não percam essas características e que as regras façam sentido para elas.
Talvez seja a hora de criar crianças que não tenham determinado comportamento por um presente, mas por felicidade.
Nesta perspectiva, aproveito para deixar a cartinha que fiz pro Papai Noel esse ano...

“Querido Papai Noel,
Eu fui boazinha esse ano.
Ok, na maioria das vezes eu fui boazinha...
Na verdade, eu fui um pouco boazinha...
Quer saber?
Deixa que eu compro meu presente!”


OBS: Uso a expressão ‘pais’ no texto, no entanto, informo que na Psicologia entendemos pai e mãe como figuras - materna e paterna - podendo ser desempenhada por outras pessoas que sejam tutores da criança. 


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