Fracassar é humano!

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A verdade é dura: nem tudo na vida dá certo. E muita gente sabe exatamente do que eu estou falando. Você estuda por horas e horas, faz a prova e tira uma nota ruim. Segue a receita direitinho, mas o bolo não fica bom. Faz tudo que acha certo no relacionamento amoroso e, no final, fica sozinho. A grande verdade é que fracasso faz parte da vida. Até mesmo pessoas bem intencionadas e inteligentes fracassam. Isso não é novidade. Na verdade, são raros os casos de “sucesso” no dia-a-dia. Essa raridade explica por que casos de sucesso acabam ganhando espaço nos jornais (e todo mundo acha inspirador).

Mas por que fracassamos tanto? Por que as coisas sempre dão errado mesmo quando queremos muito que as coisas dêem certo? Bom, se você está esperando uma resposta rápida, daquelas que cabe em um tweet, sinto muito. Mas a versão longa é a seguinte: nós somos tomadores de decisões. Estamos o tempo inteiro decidindo como agir, o que fazer, como fazer, que hora fazer, etc. E, algumas vezes, pensamos nas consequências das nossas decisões. Outras vezes não. O senso comum nos diz o tempo todo que fracassamos por que não pensamos nas consequências. Errado. Nossa cognição naturalmente faz relações causais e sempre imagina alguma consequência para alguma ação. Sempre. Até criança faz isso. O que o senso comum não fala é que nem sempre ponderamos a complexidade da situação (e por consequência (pun intended), a natureza multifacetada dos possíveis resultados).
Oi? Multiface… o que? Explico. Quando temos vários fatores que precisam ser levados em consideração em uma situação, falhamos em perceber que as diversas maneiras como esses fatores podem se combinar resultam em inúmeras consequências. O nosso papel é planejar a nossa tomada de decisão levando todas as possibilidades possíveis em consideração. Por isso que conhecimento da situação é importante. Vou dar um exemplo: se você observar o Facebook e o Twitter, você vai perceber que todo mundo por lá parece saber como governar um país. Em 1997, um pesquisador alemão fez uma simulação interessante. Ele deu a presidência de um país fictício localizado no Oeste da África para um grupo de 12 pessoas e disse: olha, você é o governante. Faça o que for necessário para melhorar a qualidade de vida dos habitantes desse país. Todas as decisões que as pessoas tomavam eram acolhidas por um computador que simulava consequências das atitudes dos governantes. Ao final de 10 anos (simulados, obviamente), apenas 1 governante conseguiu melhorar a qualidade de vida dos habitantes. Todos os outros 11 participantes acabaram criando catástrofes grandes e piorando a qualidade de vida das pessoas. Um deles, por exemplo, fez uma campanha para eliminar roedores e os macacos que estavam comendo as plantações dos fazendeiros, o que fez com que os leopardos da região ficassem sem o que comer, o que, por sua vez, fez com que eles começassem a atacar os gados dos fazendeiros.

Mas por que isso aconteceu? Ao tomar decisões, a maioria das pessoas pensa apenas em um problema de cada vez, sem levar em consideração a sistematicidade e interação dos diversos fatores envolvidos. Nossa mente naturalmente seleciona aquilo que é mais saliente (a consequência mais óbvia), ou aquilo a que temos uma maior familiaridade. E isso causa uma ilusão de que estamos “resolvendo um problema”. Por exemplo, se você percebe que a piscina da sua casa está com mal cheiro, você certamente vai retirar o que tem dentro dela (folhas, galhos, etc.), retirar toda a água suja, limpa-la por dentro e enche-la novamente com água limpa. Ao final disso tudo, você ficará contente pois resolveu o problema do mal cheiro. No entanto, um mês depois, o mal cheiro volta, mostrando que, no fundo, você não resolveu o problema. Não levou em consideração a complexa relação entre a temperatura do local, os organismos e substâncias ali presentes.
Mas e aí? O que fazer então? A resposta parece simples. Planeje! Planeje! Planeje! E planeje com muito cuidado e atenção. Qualquer resolução de problema que não seja cuidadosamente planejada está fadada ao fracasso. Esse planejamento precisa ser, no entanto, minucioso. Todas as variáveis possíveis devem ser levadas em consideração (sim, isso dá trabalho e requer que você conheça bem o problema que tenta resolver), bem como todas as possíveis interações dessas variáveis. Várias consequências podem surgir de problemas complexos. Liste todas elas. Coloque-as em ordem de importância. E pense em ações posteriores a cada uma delas. Apenas depois de destrinchar o problema no seu cerne, é que você deve considerar possíveis ações.
Esse processo de planejamento dá trabalho. É demorado. Requer calma, cautela, cabeça fria e perseverança. Se você errar no planejamento, tudo bem. Isso te dá espaço pra acertar na execução. Fazer a coisa certa de maneira errada é melhor que fazer a coisa errada de maneira certa!
Fonte: Cognando

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