Como você goza?

00:00:00 LàR Livre à Reflexão 0 Comments


Uns gozam na pele, alguns no ouvido, na boca, outros no olhar, em serem vistos, existem alguns que gozam com a dor, alguns que gozam ao querer não gozar, assim como os que gozam no discreto sorriso que escapa no canto da boca ao falar de seu sofrimento…
A suposta unidade inicial mãe-bebê, que é da ordem de um Real, detém em si uma experiência de Gozo (Jouissance, J1) anterior a qualquer letra, antes que a linguagem possa vir a nomear algo.

A operação de castração é responsável pela passagem dessa relação Real para uma Simbólica, e neste processo de conversão, como se fosse a conversão de moedas, afinal cada país tem a sua moeda de troca, e neste “país” da linguagem a moeda é o significante que por sua vez é da ordem do simbólico, é neste processo de conversão que um resto sobra, um resto de Real, alguma coisa que cai da máquina de produção significante, e, o operário que limpa o chão em que está a máquina (ou o faxineiro), o que ali encontra é um objeto, o objeto a.

Da mesma maneira que sobre uma gota de amor se constrói uma relação inteira, sobre esta pequena letra se edifica os maiores “arranha-céus” da fantasia de um sujeito e desta forma, “(…) ao contarem suas fantasias para seus analistas, os analisandos informam sobre o modo como desejam estar relacionados com o objeto a” (Fink, B. p.83), figurando assim, este objeto, um instrumento manipulado pelo sujeito para dentro da sua fantasia obter o máximo de emoção.

Ao contarem suas fantasias para seus analistas, os analisandos informam sobre o modo como desejam estar relacionados com o objeto a.
Reparem que ao invés de “prazer” preferi “emoção”, visto que, neste processo há alguma coisa. Alguma coisa “mais além do princípio do prazer”! Alguma coisa que Freud viu no rosto do Homem dos Ratos interpretado como “(…) horror ao prazer todo seu do qual ele mesmo não estava consciente” (Freud, S, Vol. X, p. 171); ou seja, o horror no prazer, ou ainda, numa inversão, e sem perder o sentido, o prazer no horror.

Este horror que escapa frente ao prazer, ou o prazer que escapa ao horror, este último, por exemplo, como o vemos na clínica, no momento em que o paciente, por vezes (im)paciente, queixando-se de seu sintoma deixa escapar no canto da boca um sorriso, que ele não se dá conta. O que há neste sorriso que escapa? O que há na permanência de um suposto sofrimento? O que mantém o sujeito numa situação-relação de que se queixa tanto? Há o Gozo!

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