Que gracinha o seu filho! O perigo da superexposição de crianças na rede.

00:00:00 Thais Lopes Trajano 0 Comments

Quem nunca morreu de tanta fofura ao ver a foto ou vídeo de uma criança na internet?

As redes sociais estão cheinhas delas, filhos de amigos, filhos de amigos de amigos, filhos de pessoas desconhecidas.  Além das fotos, existem ainda, vídeos nos quais crianças choram pelos mais diferentes motivos, sejam eles ‘querer um marido’ ou resgatar um cachorro da rua. Há também as crianças que estão fazendo arte... Brincando com o batom da mãe ou pintando toda a casa. Dentre muitas e muitas outras aparições.



Hoje o LàR vai problematizar essas exposições.

Os vídeos são divertidos? Muitas vezes sim.
No entanto, essa diversão é proporcionada a custo de que? Veja pontos importantes para repensar antes de postar algo dos pequenos na rede.

1.        É muito comum ver foto da criança na porta de casa antes de sair com os pais ou com o uniforme da escola. Essas podem ser informações valiosas na mão errada. Uma pessoa completamente desconhecida pode ficar ciente de onde e que horas encontrar seu filho a partir de suas postagens;

2.       Há pouco tempo foi amplamente divulgado o resultado de uma pesquisa feita na Austrália (veja aqui a reportagem), indicando que praticamente metade das fotos encontradas em sites de pedofilia foi retirada da rede social dos pais. Não se engane acreditando que o fato de restringir quem vê suas fotos os mantêm seguros. Um amigo que não tenha essa restrição e que compartilha seu material viabilizará a visualização do conteúdo por outras pessoas. Ainda que este amigo tenha o perfil restrito, os amigos dele, que não necessariamente são amigos seus, terão acesso a informação. Outro ponto importante é que, uma vez na internet, a informação pode ser salva por qualquer um. 




OBS: Ressalto que, embora a gente normalmente se sinta seguro em expor essas imagens e vídeos somente para os amigos, ainda assim, há perigo. Pedófilos costumam ter uma vida considerada ‘normal’, além de serem pessoas socialmente bem sucedidas e ditas confiáveis.


3.       A exposição de uma criança, principalmente as mais novas, comumente foge do interesse e permissão das mesmas. Isto porque uma criança depende de seu tutor e não possui autonomia para decidir sobre sua exposição na internet ou não. Ainda que alguns pais justifiquem essa exposição com frases como “Ele(a) adora tirar fotos!”, é diferente uma criança gostar de foto e ela entender até que ponto pode ser exposta com aquela imagem. Algumas das informações compartilhadas via rede podem, em longo prazo, causar prejuízo moral à criança se pensarmos no efeito atemporal da internet. Esta criança irá crescer e não há como saber, enquanto criança, se quando se tornar um adolescente e/ou adulto, aquelas informações e imagens expostas serão vistas como positivas ou negativas. Inclusive há uma grande possibilidade de no futuro a criança ter o direito de processar os pais pela exposição de sua imagem (veja neste artigo).

O que fazer diante desses fatos.

A internet pode ser uma ótima ferramenta. As redes sociais podem aproximar quem está longe, mas a possibilidade de anonimato pode permitir a aproximação também de pessoas más intencionadas.
Se você é responsável por alguma criança, sugiro discutir esses dados e os perigos possíveis com os amigos. Este fato deixará a todos mais precavidos. 
Uma alternativa possível para minimizar as ameaças é, além de restringir o acesso de conteúdo de suas páginas, pedir aos amigos que não compartilhem material sobre os pequenos sem sua autorização. 
Esta alternativa num primeiro contato parece impraticável, no entanto, sugiro um passeio nos anos 90, onde era necessário revelar o filme para ter acesso a uma foto física. Poderia alguém ter uma foto do seu filho no porta retrato de casa sem sua permissão? Porque, então, permitir que tenham em sua timeline?
Precaução e privacidade podem, ainda no mundo tecnológico, existir.   

Sugiro também que, ao pensar em postar algum dado e/ou imagem de criança na rede você faça uma reflexão de qual é o objetivo desta postagem. 


Tão importante quanto tomar cuidado com a exposição na rede é permitir que crianças sejam crianças e, façam ainda, coisas de crianças sem que cada ação vire um evento público e proporcione aos tutores curtidas e seguidores.


Por carinho e amor, deixem os pequenos curtirem seus momentos. Não se preocupe tanto em fotografar, filmar e muito menos em postar. Foque sua energia em aproveitar os segundos valiosos de descobertas junto a eles.





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