Primeira vez ao psicólogo. Ai que medo!

00:00:00 Thais Lopes Trajano 2 Comments

Este texto emergiu de uma constatação de muitos psicólogos clínicos: a ansiedade gerada nos clientes que agendam sua primeira consulta ou entrevista inicial, conforme alguns psicólogos a chamam.

Quando perguntados sobre como foi o período entre a marcação da sessão até o encontro de fato, é comum ouvir tais pensamentos:

“O que eu digo quando chegar lá?”
“Será que o psicólogo vai me analisar?”
“Será que eu falo disso ou aquilo que são tão particulares pra mim?”
“E se o psicólogo contar pra alguém o que eu falar?”

Estes, dentre outros, são pensamentos comuns e acabam por desencadear ansiedade e medo quanto a essa primeira consulta, fazendo com que muitos a faltem ou desmarquem.

O Làr pretende aqui esclarecer algumas questões simples sobre o que acontece nessa primeira sessão e desmistificar algumas crenças. Vamos lá!

1.         Agendando a sessão:
Diferentemente de outras áreas de atendimento e/ou saúde que possuem atendimento por ordem de chegada ou acabam sobrepondo horários, quando você agenda uma sessão com o psicólogo ele estará lá, aguardando você no horário agendado e ficará lá até o fim do tempo de sessão. Por exemplo, se você agendou uma sessão para as 9h, o psicólogo estará disponível para você das 9h até as 9:50h. Normalmente as sessões duram em torno de 50 minutos prevendo um pequeno intervalo entre uma sessão e outra, além de propiciar um tempo extra, caso haja algum imprevisto durante a sessão, este tempo pode variar conforme abordagem e tipo de atendimento, por exemplo em clínicas e/ou atendimentos sociais este tempo pode ser reduzido. 

2.       Chegando ao setting:
Normalmente o consultório se organiza de forma a acolher o cliente e fazer com que o mesmo sinta-se confortável e seguro. Mas saiba que não necessariamente você encontrará o famoso divã. Isto dependerá da abordagem na qual o psicólogo atua. Também dependerá da abordagem o uso das nomenclaturas cliente ou paciente pelo psicólogo.




3.       Falando de si:
O psicólogo, conforme já dito em texto anterior, não faz julgamento de valor quanto às informações e vivências trazidas pelo cliente (você pode acessar clicando aqui). Nosso trabalho, principalmente neste primeiro encontro, é acolher o cliente, sua queixa e experiências. Na primeira sessão o cliente é encorajado pelo psicólogo a contar o que o trouxe até o consultório, além de juntos pensarem objetivos e estratégias para alcançá-lo.

4.       Sigilo:
Em complemento ao colhimento já falado, é importante ressaltar que há um sigilo ético que garante ao cliente que suas questões estão seguras e não serão repassadas a outrem. A estrutura do consultório também é pensada para garantir que o som não seja propagado para fora do setting.

5.       Sobre o trabalho:
Após ouvir o cliente, o psicólogo tende a explicitar como o trabalho será realizado e o que compete apenas ao cliente. Este momento é importante para delinear o trabalho que será realizado e esclarecer de que forma o psicólogo, dentro de suas técnicas e conhecimentos poderá servir de ferramenta para auxílio do cliente.

6.       Contrato terapêutico:
Já chegando ao momento final da primeira sessão, é estabelecido entre psicólogo e cliente o que chamamos de contrato terapêutico e que nada mais é do que as especificações de datas, horários e compromissos firmados entre as partes. No geral, são agendadas sessões semanais, com duração de 50 minutos. Além disto, é definido aqui o valor de sessão e os encargos em caso de faltas sem aviso antecipado. Alguns psicoterapeutas, dependendo especificamente do caso recebido, poderão incluir outros aspectos nessa discussão.

Uma vez que essas questões foram esclarecidas, deixo uma dica: Vá e relaxe!
Muito possivelmente o momento em que você se sentirá mais livre de julgamentos da primeira sessão em diante será justamente em suas próximas consultas. J

Espero que este texto possa ajudá-lo na incrível caminhada de descobrir-se e de permitir descobrir-se.
Conte-me também sobre você.
Já foi ao psicólogo? Teve os mesmos receios? Acredita que este texto abordou as principais questões?

Despeço-me deixando uma pequena citação de Platão:
“Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz.”

Um abraço e até a próxima sessão! ;)






2 comentários:

  1. Interessante, estou procurando algumas orientações antes de marcar uma consulta. Mas confesso que fiquei um pouco incomodado com a nomenclatura "cliente".

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    1. Olá! Poderia dividir conosco o motivo do incomodo? Talvez a gente possa ajudar a esclarecer algo que possa ter ficado obscuro.
      De todo modo, reiteramos que o uso dessa nomenclatura poderá variar conforme abordagem do psicólogo.
      Abraço!

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