A luta continua

00:00:00 Leonardo Maggioni 0 Comments


Hoje o LàR vai trazer a continuação do trabalho É sobre luta, onde traremos dados informativos e estatísticos e reflexões sobre todo o tema abordado, se você ainda não leu a primeira parte, CLIQUE AQUI.
"É sobre luta, sobre humanidade.  As lutas das classes excluídas, não se trata de querer privilégios e sim direitos."

Dados oficiais do relatório.

Denunciante
Em 32,8% dos casos, os denunciantes não conheciam as vítimas; em 9,1% dos casos, a própria vítima efetuou a denúncia; e em 1,9% dos casos os denunciantes eram conhecidos das vítimas (companheiros, amigos, sobrinhos, irmãos, cunhados, filhos e vizinhos). Em um grande percentual de denúncias (53,8%), não há identificação do denunciante.

Sexo
A grande maioria das denúncias de violências de cunho homofóbico é sobre vítimas do sexo masculino (73%). Outras 16,8% são do sexo feminino. Os não informados contabilizaram 10,2% dos casos.

Identidade sexual
Maioria de não informados (46,8%), seguido de gays (24,5%), travestis (11,9%), lésbicas (8,6%), transexuais (5,9%) e bissexuais (2,3%).

Raça/cor autodeclarada:
Pretos e pardos totalizam 39,9% das vítimas; seguidos por brancos, com 27,5% e 0,6% amarelos e indígenas. Não informados totalizam 32% das vítimas.

Faixa etária:
Compreende 54,9% de vítimas entre 15 e 30 anos. A população mais jovem é também a população que tem mais acesso às redes sociais e a informações sobre os canais de denúncia do poder público.

Perfil do suspeito:
32,1% das vítimas conheciam os suspeitos de cometer violência, enquanto 32% eram desconhecidos. Assim, 36,1% das violações ocorreram nas casas – da vítima (25,7%), do suspeito (6%), de ambos ou de terceiros (4,4%). Seguido pela rua, com 26,8% das violações e outros locais com 37,5% das denúncias (delegacias de polícia, hospitais, igrejas, escola, local de trabalho e outros).

Tipo de violência:
Podese verificar que violências psicológicas foram as mais reportadas, com 40,1% do total, seguidas de discriminação, com 36,4%; e violências físicas, com 14,4%.
Entre os tipos mais reportados de violência psicológica encontramse as humilhações (36,4%), as hostilizações (32,3%) e as ameaças (16,2%).
No caso das discriminatórias, a mais reportada é a discriminação por orientação sexual, com 77,1% das denúncias.
As lesões corporais são as mais reportadas, com 52,5% do total de violências físicas, seguidas por maus tratos, com 36,6%. As tentativas de homicídios totalizaram 4,1%, com 28 ocorrências, enquanto homicídios de fato contabilizaram 3,8% do total, com 26 ocorrências.
Ainda, foram notificadas 74 denúncias de violência sexual. Entre elas, 43,2% são abusos sexuais, seguido por estupro (36,5%), exploração sexual (9,5%) e exploração sexual no turismo (1,4%).

Homícidios por estados:
Distribuição dos homicídios por Estado, com base na veiculação de notícias acerca desses crimes: São Paulo (8,8%), Pernambuco (8,4%), Minas Gerais (8,4%), Bahia (8%) e Paraíba (6,8%).
 Mimimi ?
A luta pela equidade entre os gêneros acabou criando dilemas significativos em relação à mulher feminista. Lutar pelos direitos da mulher, em muitos momentos, parecia ser a demonstração que a mulher poderia simplesmente assumir os mesmos lugares e comportamentos antes privados ao mundo masculino. E não. Não se resume a isso. Entre as grandes e pequenas demandas, as mulheres observam que a conquista de sua emancipação abre portas para a compreensão e a resolução de outros novos desafios.
Mesmo com toda a minha solidariedade com a luta das mulheres, é importante demarcar que eu também sou parte do problema, ainda que inconscientemente é muito possível que eu colabore para reforçar essa cultura predominantemente machista. Por isso a importância de entender o feminismo, e para isso convido os amigxs a refletirem o trecho da música “Milagres” do Mc paulistado Marcelo Gugu.
Entender o feminismo é mais do que entender que uma mulher é estuprada a cada seis minutos, é mais do que entender que a cada 18 segundos uma mulher é espancada ou que três em cada quatro mulheres serão vítimas de pelo menos um crime de violência durante a sua vida.
Entender o feminismo é entender que algumas mães fazem papel de pais por que um homem não foi homem suficiente. É entender que o termo sexo frágil só seria utilizado se vasos de porcelana transassem e que a cólica da TPM é uma dor reflexo causada pela postura curvada que vocês ficam por muitas vezes carregarem o mundo nas costas.Entender o feminismo é compreender que viemos de uma mulher. É respeitar a história de vida da sua mãe. É ver que mulheres são capazes de despertar a inveja em Shiva, pois o que fazem com dois braços, Shiva não faria com cem. É entender que a vida de cada mulher é uma luta e que a história de cada uma, poderia ensinar para as árvores sobre o que é ser raiz. Entender o feminismo é descobrir que machismo é o reflexo da a insegurança do ego masculino e que impotência não é falhar como homem e sim como ser humano. É entender que roupa jamais definiu caráter e que, onde o não termina, não necessariamente começa o sim.
Se Eva nasceu da costela de Adão e a costela existe para proteger o coração, feminismo é quando entendemos que essa causa é nossa, pois fomos feitos pela mesma mão. É quando a revolução tira a maquiagem e se apresenta como veio ao mundo: linda! E é quando entendemos que, se gerar vida é um dom divino e toda mulher é capaz de ser mãe, podemos deduzir que putas e freiras podem ser santas, afinal, aquelas que não derem a luz com seus quadris certamente o farão com seu coração!

A luta é de todxs!!

Debater, refletir sobre que sociedade estamos criando, é fundamental na estratégia de enfrentamento e redução dessas desigualdades.
Podem somar a luta, isso não precisaria nem ser discutido, afinal isso é obrigação de todxs. A questão é querer assumir mais uma vez o protagonismo.
Isso não. Saber o que os negros, mulheres e LGBTs passam ou passaram sendo que eu e você não somos, nunca seremos protagonistas, podemos sim lutar, mas nunca dizer que sabemos, nunca saberemos.
Por isso eu, Homem-hétero-cis, branco, tenho muito cuidado em falar sobre esses assuntos, para construir essa reflexão, me questionei muito sobre meu papel nessa discussão, e cheguei a uma conclusão que posso e devo tratar esses assuntos sim, mas sempre em tom de desculpa. Como diria Millôr.
“O Brasil tem um enorme passado pela frente."



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