Meu filho é tão bonzinho! O que há por trás de comportamentos excessivamente obedientes.

00:00:00 Thais Lopes Trajano 0 Comments

Crianças boazinhas demais, que obedecem sempre, amigáveis e dóceis.
Aquele tipo de criança que todo responsável pensa: Nossa! Essa criança não deve dar trabalho!
E não costuma dar mesmo. Mas isso não significa que seja saudável para ela.



Crianças que agradam demais costumam ter sentimentos de insegurança e buscam através desses gestos, sentirem-se confirmadas.

Neste momento, faço uso das palavras de uma autora que muito admiro – Beatriz Helena Paranhos Cardella - para explicar mais precisamente o que chamo de confirmação.

“Confirmar é um ato de amor, é reconhecer a outra pessoa como alguém que existe em sua forma singular e que tem o direito de fazê-lo”

O grande fato a ser observado e aceito é que crianças, assim como adultos, possuem polaridades, ou seja, pólos opostos, de sentimentos e comportamentos. No caso das crianças que aqui falamos, elas encontram-se cristalizadas no pólo “bonzinho”, negligenciando o lado “malvado” que possuem. Temos todos a capacidade de sermos dóceis, colaborativos e amigáveis, do mesmo modo que temos a capacidade de sermos indisciplinados, egoístas e maldosos.

A criança age de forma a buscar aprovação e, muitas vezes, é confirmada a partir de comportamentos que agradam os adultos, mas que não falam se seus desejos e necessidades. O que só retroalimenta o mecanismo de funcionamento do pequeno. 
E é aí que mora o perigo, a criança demanda grande parte de sua energia para atender desejos alheios, deixando de lado suas necessidades. Isso, em longo prazo, poderá despersonalizar a criança, colaborando para que se torne um adulto inseguro e com dificuldades de dizer ‘não’.



Alerta aos papais: Se você acredita ‘ser normal’ seu filho estar sempre de acordo com as suas premissas e posicionamentos, além de obedecer em demasia, cuidado!

A sugestão do LàR é que cada casa cuide e trabalhe por um espaço neutro, no qual, todos que lá residam, sintam-se acolhidos e confirmados a partir de seus verdadeiros sentimentos.

Se você acredita que não consegue sozinho, busque ajuda de um psicólogo.

Em psicoterapia, psicólogos auxiliam estas crianças a explorarem suas polaridades. É a partir deste autoconhecimento que a criança pode escolher, se deseja e quando deseja, ser boazinha ou malvada, obediente ou indisciplinada, o que amplia seus modos de expressão. Em psicoterapia é possível também que a criança reconheça seus desejos e trabalhe de forma a fortalecer-se para expô-los e encarar a vida numa busca de respeitar e realizar seus desejos, anseios e necessidades.





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