A hipermaternidade no cárcere

00:00:00 Dayane Marins 0 Comments



Já parou para pensar em ser mãe 24 horas por dia? Mas você deve estar pensando: Sou mãe 24 horas por dias. Você é mãe ou está mãe?
Temos vários tipos de papéis em nossas vidas, uns escolhidos e outros nem tão escolhidos assim. A maternidade pode ser um dos papéis escolhidos ou adquiridos. Mas, somos de múltiplos papéis e caminhamos neles, estamos mães, estamos filhx, estamos pai, estamos amigx, estamos companheirx, estamos profissionais. Uma linha tênue entre ser e estar. Porém, vamos refletir em estar mãe sem prévia para estar outra, e quando se pode mudar de papel é muito breve e restrito.
O que fazer quando esse papel materno é imposto?

A penitenciária feminina e a maternidade

Em alguns estados existem locais onde as internas vão logo após o parto, são unidades penitenciárias para mãe e bebês, que são adaptadas para as necessidades da interna e do bebê, com seis refeições diárias, banho de sol livre, complementação alimentar do bebê quando necessário, pediatra, enfermeira, espaço lúdico e etc.
Entretanto, ainda é um cárcere e dentro do sistema existem regras a seguir, inclusive quando se é mãe. Contribui-se o fator que o cárcere é marcado por gêneros, pesando-se mais uma vez os cuidados do bebê por quem se pariu e não dividida com o outro genitor.
Temos que concordar que o sistema penitenciário não foi pensado para o gênero que normalmente assume o papel de cuidador da família. O cárcere foi pensado num espaço-tempo em que o machismo estava enraizado e não se pensava mulheres nesse local, por considerarem muitas vezes como falha pessoal, pois aquela mulher nasceu e se desviou de seus “afazeres”. A prisão feminina não vem só como punição do seu comportamento fora da lei, ela vem como um modo de por a mulher no lugar de afazeres e cuidados, sendo uma dupla punição.
Pensemos também que o aprisionamento da mulher atinge toda uma estrutura familiar que muitas vezes só tem aquela “chefa de família” em uma sociedade que a mulher é direcionada para lidar com todos os afazeres domésticos, cuidados com os filhos e, muitas vezes, provedora financeira.
Ao entrarem no sistema essas mulheres grávidas vão para um presídio comum e tem uma rotina comum das outras não grávidas. Após o parto elas vão para essas unidades já citadas e perdem todos os outros afazeres e ficam somente com seus filhos ou fazendo coisas para eles, caso tenha algum outro tipo de atividade essa será feita com o bebê.
A interna vira mãe exclusiva, com ordem de amamentação, fiscalização dos cuidados dos bebês, a hierarquia continua como em todo sistema prisional, onde o Estado sabe o que é o melhor para você.

Quando essas mães têm chance de não estarem mães?
Elas tem alguns minutos quando a sua companheira de alojamento fica cuidando da criança, mas, cá entre nós, sabemos que as relações entre elas não são das melhores, isso podemos abordar em outro texto. :)

E quando é necessário um tempo para si?
Aí, você pode me questionar, mas a mulher fora do Sistema tem licença maternidade, então vai estar na hipermaternidade também. Será? Nada exclui que uma pessoa viva a hipermaternidade (sendo mãe ou não), entretanto, pode ser uma escolha ou acabar acontecendo, mas é diferente de ser imposto. Fora do sistema prisional é possível “mexer os pauzinhos” e ir manejando como consegue algum tempo de livre. É uma cultura do nosso país o auxilio dos parentes nessa chegada de um bebê no lar, podendo ser dos avós, do pai, um amigx, até porque às vezes é bom tomar um banho e lavar o cabelo, não é mamães?

Bom, hoje o LàR deixa com você essa reflexão, para pensarmos como seria viver essa hipermaternidade e levantarmos questões, muito mais do que respostas. Deixem seus comentários e questões levantadas aqui e vamos pensar juntxs como podemos refletir sobre a hipermaternidade e o cárcere feminino.

Referência:

Entre a soberania da lei e o chão da prisão: a maternidade encarcerada

  



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