Um soco no estômago.

00:42:00 Thais Lopes Trajano 0 Comments


Gostaria que esse texto pudesse ser informativo e levar conhecimento a leitores interessados na psicologia. Mas hoje não vai dar.


Amigos e clientes sabem o quanto gosto da frase “É o que tem pra hoje”, por acreditar no possível de cada um. Portanto, o que tem pra hoje é o relato de um desconforto, com o intuito de convidá-lo para uma reflexão na qual estou imersa. Ainda. Esse está sendo o meu possível.

Como psicóloga e humana, me preocupo e implico duplamente nas questões que envolvem o sofrimento humano e é a partir disto que emerge esse texto.


Uma mulher foi esfaqueada no Rio de Janeiro, sua filha, de 7 anos, presenciou a cena, socorreu e esteve com a mãe até o fim. Parece [não vi e não vejo este tipo de conteúdo] que a cena era forte, o registro do sofrimento gritante de uma criança.
Sofrimento de uma criança.
Uma criança.

E essa dor gerou likes, compartilhamentos, capa de jornal e matéria destaque em sites. Gerou dinheiro pra quem produz informação. Repercussão, especulação e ibope a partir da dor, do sofrimento, perda e, porque não dizer, do fim de alguém. Uma pessoa. Uma pessoa com família, amigos, conhecidos. Todos podem, a um clique, "ter acesso" ao sofrimento sentido, ao não despedir de uma criança.
Sim, uso "ter acesso" com as aspas, por acreditar que talvez não seja um acesso de fato, um acesso empático, um sentir com, sentir como. 

Ainda mergulhada em reflexões sobre o que move as pessoas a fazerem uso do sofrimento de outrem chego a pelo menos uma conclusão – Tá faltando empatia! 
E para 'viralizar' deixo este vídeo simples e fácil para entender o que é. Faça também suas reflexões.



Num momento em que as palavras ainda me somem e sobressaltam a sensação de um soco no estômago, divido a colocação de um grande amigo que hoje traduz o que sinto: 
Um crime merece a análise política, a crítica, proposições e a racionalidade para prevenção de outros. O sofrimento não. Cabe o silêncio, a consternação, o mal estar. Ao pesar dessa menina não cabe o grito e o alarde.


OBS: A pessoa que gravou o vídeo perdeu uma oportunidade e tanto de ser empática e minimamente confortar aquela criança. 


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